MÓDULO 02
Renascimento | Arte Barroca | Arte Rococó | Arte Neoclássica | Romantismo | Realismo
Renascimento
As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc.
Os governantes europeus e o clero passaram a dar proteção e ajuda financeira aos artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato, tinha por objetivo fazer com que esses mecenas (governantes e burgueses) se tornassem mais populares entre as populações das regiões onde atuavam. Neste período, era muito comum as famílias nobres encomendarem pinturas (retratos) e esculturas junto aos artistas.
Destacamos as cidades Veneza, Florença e Gênova que tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual. Por este motivo, a Itália passou a ser conhecida como o berço do Renascimento.
Os elementos artísticos da Antiguidade clássica voltam a servir de referência cultural e artística. O humanismo coloca o homem como centro do universo (antropocentrismo). São características
As qualidades mais valorizadas no ser humano passaram a ser a inteligência, o conhecimento e o dom artístico, e o homem busca a sua dignidade de "criação mais perfeita de Deus".
Arquitetura
Ordens arquitetônicas: Criação de um modelo que ocupasse o espaço com ordem e simplicidade na distribuição das colunas, frontões, arcos plenos e entablamento.
Os arcods plenos e as abobadas aparecem com frequência sendo um dos principais elementos estruturais.
As esculturas são feitas em pedras independentes da construção e as pinturas são feitas em telas e se desprendem das paredes da construção.
Felippo brunelleschi: CATEDRAL DE SANTA MARIA DEL FIORE
Possui a maior cúpula do mundo construída sem andaimes usando o sistema de cúpula dupla
Pintura
A pintura italiana valorizava a representação dos temas religiosos e greco-romanos, pois o principal mecenas era o Clero, enquanto que nos países baixos representavam cenas do cotidiano, pois o principal mecenas eram os burgueses.
Perspectiva, reforço dos volumes (claro e escuro), realismo, São técnicas que servem para demonstra conhecimento técnico em imagens realistas, mas uma realidade a ser compreendidas e não apenas admirados.
Surgem os ideais de liberdade (individualismo), cada artista possui uma busca própria por conhecimento para melhorarem as suas técnicas e a igreja já não tem mais o comando da produção artística, cada artistas possui seu estilo pessoal e são os donos intelectuais das suas obras e passam a assinar seus trabalhos.
Botticelli: Representação de figuras melancólicas que perderam a graça divina, ideal cristão de beleza, marca registrada: transparências nos seus véus e tecidos.
Obras: Adoração dos magos, Alegoria da primavera, O nascimento de Venus, Anunciação...
Michelangelo: Apesar de se dizer escultor, destaca-se pela pintura da capela sistina, uma armadilha lançado por seu desafeto Bramante, que deixou Michelangelo com a missão de pintá-la tendo como seu chefe Julio II, que não o deixou em paz durante todo o trabalho, mas a tentativa de desmerecer Michelangelo, não funcionou ele foi brilhante também como pintor.
Obras: Teto da capela Sistina, destacamos a criação do homem e o afresco do juízo final.
Rafael: Suas obras comunicavam ordem e segurança , pois seus elementos são dispostos em espaços de maneira equilibrada. Conhecido por suas madonas.
Obras: Madona e o menino, A mulher e o unicórnio, A Escola de Atenas.
Leonardo Da Vinci: Dominou a sabedoria e a aplicou em seus trabalhos, além de pintor era também arquiteto, paisagista, físico,engenheiro, escritor, cientista, mecânico, entre outras profissões. Existem um trabalho como inventor muito rico, que deram origem a coisas como a asa delta, o helicóptero, o para quedas...
Obras: A Gioconda, A última ceia, a virgem do rochedo...
Escultura
Incentivada pelos Papas, grandes artistas se destacaram nessa linguagem, podemos destacar novamente Michelangelo, com sua obra máxima: David que representava o homem real, com suas proporções dentro de uma realidade aprendida com o estudo do corpo humano, e A Pietá, é um tema da arte cristã em que é representada a Virgem Maria com o corpo morto de Jesus nos braços, após a crucificação. Associa-se assim às invocações de Nossa Senhora da Piedade
Donatello: Voltado para a representação da figura humana, Donatello levou a escultura renascentista à máxima expressividade.
Obras: Anunciação, David, Madalena...
Barroco
A arte barroca utiliza técnicas que dão um sentido de movimento ao desenho. Os efeitos de luz e sombra são utilizados constantemente como um recurso para dar vida e realidade à obra. Os temas que mais aparecem são: a paisagem, a natureza-morta e cenas da vida cotidiana.
Seu surgimento deve-se a uma série de mudanças na Europa, econômica, que passa a se apoiar nas atividades mercantilistas, social, com o crescimento do poder da burguesia assim como sua visão materialista do mundo e valorização do mundo físico e humanismo, e, principalmente religiosa, com a reforma da igreja católica que teve seu poder enfraquecido e tenta evitar sua fragmentação.
O barroco foi uma tendência artística que se desenvolveu primeiramente nas artes plásticas e depois se manifestou na literatura, no teatro e na música. O berço do barroco é a Itália do século XVII, porém se espalhou por outros países europeus como, por exemplo, a Holanda, a Bélgica, a França e a Espanha. O barroco permaneceu vivo no mundo das artes até o século XVIII. Na América Latina, o barroco entrou no século XVII, trazido por artistas que viajavam para a Europa, e permaneceu até o final do século XVIII.
O barroco se desenvolve no seguinte contexto histórico: após o processo de Reformas Religiosas, ocorrido no século XVI, a Igreja Católica havia perdido muito espaço e poder. Mesmo assim, os católicos continuavam influenciando muito o cenário político, econômico e religioso na Europa. A arte barroca surge neste contexto e expressa todo o contraste deste período: a espiritualidade e teocentrismo da Idade Média com o racionalismo e antropocentrismo do Renascimento.
Os artistas barrocos foram patrocinados pelos monarcas, burgueses e pelo clero. As obras de pintura e escultura deste período são rebuscadas, detalhistas e expressam as emoções da vida e do ser humano. A palavra barroco tem um significado que representa bem as características deste estilo. Significa "pérola irregular" ou "pérola deformada" e representa de forma pejorativa a ideia de irregularidade.
Pintura
Diferente do Renascimento, onde as figuras pareciam estar posando para a pintura, no Barroco, passam a ser retratadas de forma teatral, isto é aparecem sempre em movimento, muitas vezes exagerados. A emoção acima da razão é a principal preocupação do artista barroco. Valorizavam as cores, as sombras e a luz, e representam os contrates. As imagens não são tão centralizadas quanto as renascentistas e aparecem de forma dinâmica, valorizando o movimento. Os temas principais são: mitologia, passagens da Bíblia e a história da humanidade. As cenas retratadas costumam ser sobre a vida da nobreza, o cotidiano da burguesia, naturezas-mortas entre outros. Muitos artistas barrocos dedicaram-se a decorar igrejas com esculturas e pinturas, utilizando a técnica da perspectiva.
Obscurantismo - Técnica que criava contrastes na pintura entre áreas muito escuras e áreas iluminadas, geralmente por luz artificial, destacando algum tema principal da cena.
Caravaggio: A luz não aparece como reflexo da luz solar, mas para dirigir a atenção do observador
Andrea Pozzo: Pintura causando a impressão de que parede e teto se juntam e se abrem para o céu.
Velásquez: retratava tipos comuns e populares, além da corte, retratando o dia-a-dia
Rubens: Colorista vibrante, que retrata corpos contorcidos e intenso movimento das roupas
Frans Hals: Equilíbrio seguro da composição
Rembrandt: Gradação da claridade, penumbras e que envolvem áreas mais luminosas
Vermeer: * Tinha como tema a burguesia holandesa e usou a "câmera escura" para obter maior perfeição do desenho
Escultura
Muito dramáticas, as esculturas barrocas mostram faces humanas marcadas pelas emoções, principalmente o sofrimento. Os traços se contorcem, demonstrando um movimento exagerado. Predominam nas esculturas as curvas, os relevos, o excesso de dobras nos panejamentos e a utilização da cor dourada. Apareciam nas obras arquitetônicas religiosas, Igrejas, nas fachadas, portadas, interiores e do lado externo, nas fontes.
Arquitetura
A arquitetura barroca realizou-se principalmente na construção de igrejas e palácios. A igreja católica buscava representar o esplendor e o poder da fé e seu triunfo sobre as demais religiões, enquanto que alguns governantes construíam luxuosos palácios para exibir o poder de sua riqueza.
Os arquitetos deixaram de lado a simplicidade e racionalidade e investem nos elementos decorativos, muitas vezes de forma exagerada, pois tinha horror a espaços vazios.
Também é nesse período que a preocupação paisagística resulta na construção de grandes jardins.
Rococó
O rococó é um estilo que desenvolveu-se no sul da Alemanha e Áustria e principalmente na França, a partir de 1715, após a morte de Luís XIV. Também conhecido como "estilo regência", reflete o comportamento da elite francesa de Paris e Versailles, empenhada em traduzir o fausto e a agradabilidade da vida. O nome vem do francês rocaille (concha), um dos elementos decorativos mais característicos desse estilo, não somente da arquitetura, mas também de toda manifestação ornamental e de adereços. O estilo conheceu grande desenvolvimento entre 1715 e 1730, durante a regência de Filipe de Orléans.
Existe uma alegria na decoração carregada, na teatralidade, na refinada artificialidade dos detalhes, mas sem a dramaticidade pesada nem a religiosidade do barroco. Tenta-se, pelo exagero, se comemorar a alegria de viver, um espírito que se reflete inclusive nas obras sacras, em que o amor de Deus pelo homem assume agora a forma de uma infinidade de anjinhos rechonchudos. Tudo é mais leve, como a despreocupada vida nas grandes cortes de Paris ou Viena. Predominando as clores claras em tons pastéis, essa arte era decorativista e não funcional.
Pintura
A pintura rococó deixa de lado os afrescos a fim de dar lugar aos arrases que pendem macios das paredes e torna íntimo e discretos os ambientes; aproveita os recursos do barroco, liberando-os de sua pesada dramaticidade por meio da leveza do traço e da suavidade da cor. Agora o quadro tem pequenas dimensões, passando a ser colocado nas entreportas ou ao lado das janelas, onde antes eram colocados os espelhos. Por vezes os quadros têm um lugar reservado: são os cabinets de pintura, onde se reúnem os entendedores para apreciar as obras.
O homem do rococó é um cortesão, amante da boa vida e da natureza. Vive na pompa do palácio, passa o dia em seus jardins e se faz retratar tanto luxuosamente trajado nos salões de espelhos e mármores quanto em meio a primorosas paisagens bucólicas, vestido de pastorzinho.
As cores preferidas são as claras. Desaparecem os intensos vermelhos e turquesa do barroco, e a tela se enche de azuis, amarelos pálidos, verdes e rosa. As pinceladas são rápidas e suaves, movediças. A elegância se sobrepõe ao realismo. As texturas se aperfeiçoam, bem como os brilhos.
Existe uma obsessão muito particular pelas sedas e rendas que envolvem as figuras. O material preferido para obter o efeito aveludado das sedas e dos brocados, a transparência das gazes e o esfumado das perucas brancas são os tons pastel. Esses pigmentos de cores diferentes, prensados na forma de pequenos bastões, ao serem aplicados sobre uma superfície rugosa vão se desfazendo e é preciso fixá-los com um líquido especial. Sem sombra de dúvida, é nesse período que a técnica do pastel atinge seu ponto máximo de excelência.
Antonie Watteau: Retrata cenas amorosas com personagens joviais e dedicados ao gozo e ao prazer
Jean-Baptiste Siméon Chardin: Retratava cenas da vida cotidiana e burguesa da frança
François Boucher: Representava figuras de deusas e ninfas em trajes sugestivos e atitudes graciosas e sensuais, além de representações mitológicas
Jean-Honoré Fragonard: Pintor do amor e da natureza com uma arte alegre e sensual
Escultura
Devido ao grande desenvolvimento decorativo, a escultura ganha importância. Os escultores do rococó abandonam totalmente as linhas do barroco. Suas esculturas são de tamanho menor. Embora usem o mármore, preferem o gesso e a madeira, que aceitam cores suaves. Os motivos são escolhidos em função da decoração. Até artistas famosos, principalmente aqueles ligados a manufatura de Sèvres se apressam a preparar para ela, desenhos e modelos. Em função de lembrança, do souvenir, os pequemos grupos representam cenas de gênero e narram, com linguagem espontânea e cores luminosas, episódios galantes, brincadeiras e jogos infantis.
Nas igrejas da Baviera surge o teatro sacro. Altares com iluminação a partir do fundo, decorados com cenários carregados de anjos, folhas e flores, são a referência ideal para cenas religiosas de uma inegável atmosfera de ópera.
Deve-se destacar também que é nessa época que surge com um vigor inusitado a indústria da escultura de porcelana na Europa, material trazido do Extremo Oriente, na esteira do exotismo tão em voga nessa época. Esse delicado material era ideal para a época, e imediatamente surgiram oficinas magistrais nessa técnica, em cidades da Itália, França, Dinamarca e Alemanha.
Arquitetura
A arquitetura rococó é marcada pela sensibilidade, percebida na distribuição dos ambientes interiores, destinados a valorizar um modo de vida individual e caprichoso. Essa manifestação adquiriu importância principalmente no sul da Alemanha e na França. Suas principais características são uma exagerada tendência para a decoração carregada, tanto nas fachadas quanto nos interiores. As cúpulas das igrejas, menores que as das barrocas, multiplicam-se. As paredes ficam mais claras, com tons pastel e o branco. Guarnições douradas de ramos e flores, povoadas de anjinhos, contornam janelas ovais, servindo para quebrar a rigidez das paredes.
O mesmo acontecia com a arquitetura palaciana. A expressão máxima dessa tendência são os pequenos pavilhões e abrigos de caça dos jardins. Construídas para o lazer dos membros da corte, essas edificações, decoradas com molduras em forma de argolas e folhas transmitiam uma atmosfera de mundo ideal. Para completar essa imagem dissimulada, surgiam no teto, imitando o céu, cenas bucólicas em tons pastel. Na metade do século, o "estilo Pompadour" já constituiu uma variante do rococó: curvas e contra curvas animam as paredes e os ritmos decorativos, afirma-se a assimetria, a trama linear invade tudo. As Vilas construídas para a favorita de Luís XV sugerem a evolução de um gosto que se desenvolve com pequenas oscilações.
Os móveis, importantíssimo complemento da construção arquitetônica, assumem uma transcendência particular. De um lado isto decorre da exigência, de determinados arranjos. De outro lado a variedade cromática, devido ao emprego de madeiras raras marchetadas, ornadas de frisos dourados, é acompanhada pelo requinte de suas linhas. Acompanha tudo isso o gosto pelos bibelôs.
Neoclassicismo
A nova burguesia fortalecida pós Revolução Francesa, sob o comando de Napoleão precisa de uma nova tendência estética para expressar os seus próprios valores, novamente os elementos e valores da arte clássica (grega e romana) são resgatados. Há uma incidência maior do desenho e da linha sobre a cor. O heroísmo e o civismo são temas muito explorados neste período.
Principais obras: Perseu com a Cabeça da Medusa, de Antonio Canova; O Parnaso, de Anton Raphael Mengs; O Juramento dos Horácios e A Morte de Sócrates, de Jacques-Louis David; e A Banhista de Valpinçon, de Jean-Auguste-Dominique Ingres.
O neoclassicismo é um movimento artístico que, a partir do final do século XVIII, reagiu ao barroco e ao rococó, e reviveu os princípios estéticos da antigüidade clássica, atingindo sua máxima expressão por volta de 1830. Não foi apenas um movimento artístico, mas cultural, refletindo as mudanças que ocorrem no período, marcada pela ascensão da burguesia. Essas mudanças estão relacionadas ao racionalismo de origem iluminista, a formação de uma cultura cosmopolita e profana; A pregação da tolerância; a reação contra a aristocracia e a Revolução Industrial inglesa.
Entre as mudanças filosóficas, ocorridas com o iluminismo, e as sociais, com a revolução francesa, a arte deveria tornar-se eco dos novos ideais da época: subjetivismo, liberalismo, ateísmo e democracia. Esses foram os elementos utilizados para reelaborar a cultura da antigüidade clássica, greco-romana.
No século XVIII, as rápidas e constantes mudanças acabaram por dificultar o surgimento de um novo estilo artístico. O melhor seria recorrer ao que estivesse mais à mão: a equilibrada e democrática antigüidade clássica. E foi assim que, com a ajuda da arqueologia (Pompéia tinha sido descoberta em 1748), arquitetos, pintores e escultores logo encontraram um modelo a seguir.
Surgiram os primeiros edifícios em forma de templos gregos, as estátuas alegóricas e as pinturas de temas históricos. As encomendas já não vinham do clero e da nobreza, mas da alta burguesia, mecenas incondicionais da nova estética. A imagem das cidades mudou completamente. Derrubaram-se edifícios e largas avenidas foram traçadas de acordo com as formas monumentais da arquitetura renovada, ainda existente nas mais importantes capitais da Europa.
Arquitetura
Na arquitetura percebe-se melhor os novos ideais que se desenvolvem na Europa. De uma forma geral foi marcada pela simplicidade, sendo que em alguns casos percebe-se maior influência romana, com obras marcadas pela severidade e monumentalidade; e em outros casos se sobressaem as características gregas, com maior graça e pureza.
No fim do século XVII, inicia-se em países como a França e a Inglaterra um movimento artístico sob a influência do arquiteto Palladio (palladianismo), que mais tarde, em pleno século XVIII, com a revolução francesa, acabaria se estendendo por toda a Europa, sob o nome de classicismo. A arquitetura barroca não tinha tido grande repercussão nesses países. Um exemplo disso é a rejeição ao projeto de Bernini para o palácio do Louvre, considerado italiano demais.
Os arquitetos não estavam dispostos a prosseguir dentro da estética empolada e amaneirada do barroco. Os fundadores da jovem ciência da arqueologia proporcionaram as bases documentais dessa nova arquitetura de formas clássicas. Surgiram assim os edifícios grandiosos, de estética totalmente racionalista: pórticos de colunas colossais com frontispícios triangulares, pilastras despojadas de capitéis e uma decoração apenas insinuada em guirlandas ou rosetas e frisos de meandros. As cidades tiveram de se adaptar a essas construções gigantescas. Desenharam-se largas avenidas para abrigar os novos edifícios públicos, academias e universidades, muitos dos quais conservam ainda hoje a mesma função.
Panteão de Paris, Arco do Triunfo, Museu britânico, Capitólio de Washington, Porta de Brandemburgo
Pintura
Foi a expressão menos desenvolvida do neoclacissismo. De uma forma geral caracterizou-se pela exaltação de elementos mitológicos ou pela celebração de Napoleão. As figuras pareciam fazer parte de uma encenação teatral e eram desenhadas numa posição fixa, como que interrompidas no meio de uma solene representação. Na pureza das linhas e na simplificação da composição, buscava-se uma beleza deliberadamente estatuária. Os contornos eram claros e bem delineados, as cores, puras e realistas, e a iluminação, límpida. Inspirados pelas esculturas clássicas e tendo como mestre da pintura renascentistas a ser seguido Rafael.
As figuras eram rígidas, sem vida, e os rostos, completamente sem expressão, simulavam máscaras das antigas tragédias gregas. As túnicas e capas caíam em dobras pesadas e angulosas, cobrindo as formas do corpo. Um enquadramento arquitetônico fechava a composição atrás e nos lados. A função narrativa era interpretada como uma gélida encenação. O fato histórico se subordinava à teatralização, à captação de um momento já morto. Grande parte dos críticos destaca as obras de Jacques-Louis David como a principal exceção, marcada pela energia e pelo realismo, que canalizam a exaltação do heroísmo para figuras variadas do mundo em que vive, não reproduzindo portanto a exaltação de Napoleão.
Pouco depois surgiria o romantismo, carregado de paixão e liberdade. Alguns artistas neoclássicos trilharam caminhos próximos à temática romântica, como Ingeres, ou finalmente aderiram ao novo movimento, como fez Gericault. Em certos momentos, quando compartilham o gosto pelos temas exóticos e patrióticos, se não fosse a linha limpa de uma contra o traço carregado de tensão da outra, seria difícil estabelecer um limite claro entre os discursos das duas correntes artísticas.
Jacques - Louis David: Primeiramente considerado o pintor da revolução francesa, mais tarde se torna o pintor oficial de Napoleão.
Jean August Dominique Ingres: Preferia trabalhar com o nu feminino, retratos e paisagens do que com temas heróicos. Registrava a burguesia e seu gosto pelo poder e individualidade.
Escultura
Os escultores neoclássicos foram marcados pelo rigor e pela pouca inovação e sua produção academicista é considerada fria. Estátuas de heróis uniformizados, mulheres envoltas em túnicas de Afrodite, ou crianças conversando com filósofos, foram os protagonistas da fase inicial da escultura neoclássica. Mais tarde, na época de Napoleão, essa disciplina artística se restringiria às estátuas eqüestres e bustos focalizados na pessoa do imperador. A referência estética foi encontrada na estatuária da antigüidade clássica, por isso as obras possuíam um naturalismo equilibrado.
Respeitavam-se movimentos e posições reais do corpo, embora a obra nunca estivesse isenta de um certo realismo psicológico, plasmado na expressão pensativa e melancólica dos rostos. A busca do equilíbrio exato entre naturalismo e beleza ideal ficava evidente nos esboços de terracota, nos quais os volumes e as variações das posições do corpo eram estudados com cuidado. O escultor neoclássico encontrou o dinamismo na sutileza dos gestos e suavidade das formas.
Quanto aos materiais utilizados, os mais comuns eram o bronze, o mármore e a terracota, embora, a partir de 1800, o mármore branco, que permitia o polimento da superfície até a obtenção do brilho natural da pele, tenha adquirido preponderância sobre os demais. Entre os escultores mais importantes desse período destacam-se o italiano Antonio Canova, escultor exclusivo da família Bonaparte, e o dinamarquês Bertel Thorvaldsen, que chegou a presidir a Accademia di San Lucca, em Roma.
Romantismo
Mudanças políticas, sociais e culturais já estavam acontecendo como consequência direta das Revoluções Francesas e Industrial e a filosofia Iluminista. Cansados da racionalidade acadêmica neoclassicista, os artistas desse período, apresentavam uma arte que valoriza a emoção e a paixão, subjetividade e introspecção, sentimentos e sensações, que caracterizam este período. A literatura romântica, os elementos da natureza e o passado são retratados de forma intensa no romantismo.
Atingiu primeiro a literatura e a filosofia, para depois se expressar através das artes plásticas. A literatura romântica , abarcando a épica e a lírica, do teatro ao romance, foi um movimento de vaguarda e que teve grande repercussão na formação da sociedade da época, ao contrário das artes plásticas, que desempenharam um papel menos vanguardista.
A arte romântica se opôs ao racionalismo da época da Revoluçao Francesa e de seus ideais, propondo a elevação dos sentimentos acima do pensamento. Curiosamente, não se pode falar de uma estética tipicamente romântica, visto que nenhum dos artistas se afastou completamente do academicismo, mas sim de uma homogeneidade conceitual pela temática das obras.
A podução artística romântica reforçou o individualismo na medidade em que baseou-se em valores emocionais subjetivos emuitas vezes imaginários, tomando como modelo os dramas amorosos e as lendas heróicas medievais, a partir dos quais revalorizou os conceitos de pátria e república. Papel especial desempenharam a morte heróica na guerra e o suicídio por amor.
Pintura
A pintura foi o ramo das artes plásticas mais significativo, foi ela o veículo que consolidaria definitivamente o ideal de uma época, utilizando-se de temas dramitico-sentimentais inspirados pela literatura e pela História. Procura-se no conteúdo, mais do que os valores de arte, os efeitos emotivos, destacando principalmente a pintura histórica e em menos grau a pintura sagrada.
Novamente a revolução Francesa e seus desdobramentos servem de inspiração; agora para uma arte dramática como pode ser percebida em Delacroix e Goya. Podemos dizer que este último, manifestou uma tendência mais politizada do romântismo, exceção para a época e que tornou-se valorizada no século XX.
As cores se libertaram e fortaleceram, dando a impressão, às vezes, de serem mais importantes que o próprio conteúdo da obra. A paisagem passou a desempenhar o papel principal, não mais como cenário da composição, mas em estreita relação com os personagens das obras e como seu meio de expressão.
O romantismo foi marcado pelo amor a natureza livre e autêntica, pela aquisição de uma sensibilidade poética pela paisagem, valorizada pela profusão de cores, refletindo assim o estado de espírito do autor.
Na França e na Espanha, o romantismo produziu uma pintura de grande força narrativa e de um ousado cromatismo, ao mesmo tempo dramático e tenebroso. É o caso dos quadros das matanças de Delacroix, ou do Colosso de Goya, que antecipou, de certa forma, a pincelada truncada do impressionismo.
Arquitetura
A arquitetura do romantismo foi marcada por elementos contraditórios, fazendo dessa forma de expressão algo menos expressivo. O final do século XVIII e inicio do XIX forma marcados por um conjunto de transformações, envolvendo a industrilaização, valorizando e rearranjando a vida urbana. A arquitetura da época reflete essas mudanças; novos materiais foram utilizados como o ferro e depois o aço.
Ao mesmo tempo, as igrejas e os castelos fora dos limites urbanos, conservaram algumas característica de outros períodos, como o gótico e o clássico. Esse reaparecimento de estilos mais antigos teve relação com a recuperação da identidade nacional.
A urbanização na Europa determinou a construção de edifícios públicos e de edifícios de aluguel para a média e alta burguesia, sem exigências estéticas, preocupadas apenas com com o maior rendimento da exploração, e portanto esqueceu-se do fim último da arquitetura, abandonando as classes menos favorecidas em bairros cujas condições eram calamitosas.
Entre os arquitetos mais reconhecidos desse período historicista ou eclético, deve-se mencionar Garnier, responsável pelo teatro da Ópera de Paris; Barry e Puguin, que reconstruíram o Parlamento de Londres; e Waesemann, na Alemanha, responsável pelo distrito neogótico de Berlim. Na Espanha deu-se um renascimento curioso da arte mudéjar na construção de conventos e igrejas, e na Inglaterra surgiu o chamado neogótico hindu. Este último, em alguns casos, revelou mais mau gosto do que arte.
Escultura
A escultura romântica não brilhou exatamente pela sua originalidade, nem tampouco pela maestria de seus artistas. Talvez se possa pensar nesse período como um momento de calma necessário antes da batalha que depois viriam a travar o impressionismo e as vanguardas modernas. Do ponto de vista funcional, a escultura romântica não se afastou dos monumentos funerários, da estátua eqüestre e da decoração arquitetônica, num estilo indefinido a meio caminho entre o classicismo e o barroco.
A grande novidade temática da escultura romântica foi a representação de animais de terras exóticas em cenas de caça ou de luta encarniçada, no melhor estilo das cenas de Rubens. Não se abandonaram os motivos heróicos e as homenagens solenes na forma de estátuas superdimensionadas de reis e militares. Em compensação, tornou-se mais rara a temática religiosa. Os mais destacados
Realismo
Reação ao subjetivismo do Romantismo e ao formalismo Neoclássico. Desejavam falar dos problemas sociais do mundo moderno e industrial.
O realismo destaca a realidade física através da objetividade científica e crua. Estas obras são inspiradas pela vida cotidiana e pela paisagem natural. Aparecem fortes críticas sociais e elementos do erotismo, provocando criticas dos setores conservadores da sociedade européia do século XIX. Principais pinturas: Enterro em Ornans, de Gustave Courbet; Vagão de Terceira Classe, de Honoré Daumier; e Almoço na Relva, de Édouard Manet.
Durante a primeira metade do século XIX, enquanto o Neoclassicismo se debatia com o Romantismo, o Realismo surge como uma nova força, que iria dominar a arte na segunda metade do século. O Realismo fez sempre parte da arte ocidental. Durante a Renascença, os artistas superaram todas as limitações técnicas para representar com fidelidade a natureza. Mas, no Realismo, os artistas modificaram os temas e insistiam na imitação precisa das percepções visuais sem alteração. Os artistas foram buscar no seu mundo cotidiano, moderno, as principais temáticas, deixando de lado deuses, deusas e heróis da antiguidade. Camponeses e a classe trabalhadora urbana passaram a dominar as telas dos realistas.
Pintura
O pai do movimento realista foi Gustave Courbet (1819 - 77). Ele insistiu que "a pintura é essencialmente uma arte concreta e tem de ser aplicada às coisas reais e existentes". Quando lhe pediram que pintasse anjos, respondeu: "Nunca vi anjos. Se me mostrarem um, eu pinto". (Veja Auto - retrato)
Nunca antes tinha sido realizada em tamanho épico - reservado somente para obras históricas grandiosas - uma pintura sobre gente comum ("Enterro em Ornams ). Defendia em altos brados a classe trabalhadora e foi preso por seis meses por danificar um monumento napoleônico. Detestava a teatralidade da arte acadêmica. ( veja " Mulheres peneirando trigo ")
Jean- François Milllet ( 1814 - 75 ) está sempre associado a retratos de trabalhadores rurais arando, semeando e colhendo. Nascido de uma família camponesa, disse uma vez que desejava "fazer com que o trivial servisse para exprimir o sublime". Antes dele, os camponeses eram invariavelmente retratados como estúpidos. Millet lhes deu uma dignidade resoluta. ( Veja "Angelus " )
Arquitetura
Ela se adapta a realidade de um mundo industrializado, abandonando a suntuosidade e luxo dos periodos anteriores. O ferro fundido e o concreto surgem como elementos dessa industria. A arquitetura realista aposta na necessidade do homem, por isso são erguidas fabricas, hospitais, estações ferroviárias, bibliotecas...
Destacamos Gustave Eiffel - Torre Eiffel e Joseph Paxton - Palacio de cristal.
Escultura
Os escultores procuraram retratar as pessoas como de fato são. O principal escultor desse período desse período é Auguste Rodin. Suas esculturas, feitas em mármore ou em bronze, eram tão realistas que alguns críticos diziam que eram feitas em cima de moldes em modelos vivos.
Quando falamos de Rodin, temos que lembrar Camile Claudel. Escultora que foi sua aprendiz e teve sua carreira não tão reconhecida, pela dificuldade que era ser uma artista mulher nessa época e por associarem suas obras ao trabalho de Rodin.
